terça-feira, 18 de junho de 2013

Discordo.

           Numa realidade em que o reajuste da passagem de ônibus moveu cidades e gerações na luta contra o aumento de vinte centavos.... eu simplesmente discordo.


          Primeira vez que eu peguei ônibus em Rio Grande paguei R$0,75 na passagem. Eu devia ter algo entre 6 ou 7 anos, e o salário mínimo era bem mais baixo naquela época, também (R$120 pra ser mais exata). Seja como for, a inflação no valor das passagens se tornou uma constante infeliz na vida do brasileiro. Preços altos por um serviço defasado, valores exorbitantes por uma qualidade irrisória. É ruim, é péssimo, é mais um grão de areia no deserto de problemas que temos em nosso país. Não é prioridade.

          Entenda, primeiramente, que sou a favor da luta pelos direitos e melhorias. O país é do povo, afinal de contas, e é ele que precisa se mexer para conseguir uma melhor qualidade de vida. Foi no Motim das Mulheres de 1875, Coluna Prestes em 1910, Revolta Paulista de 1924, Levante de Catas Altas em 1710. Independência. A história brasileira é marcada pela luta e pela revolta e a comodidade que tomou conta da população só mostra o quanto o grito é necessário para a mudança. Aplaudo o Brasil que está acordando, mas minha revolta pessoal é com a falta de prioridades que acaba causando falta de foco. 

          Educação sucateada. Saúde pública à apodrecer. Saneamente que, de tão básico, foi basicamente esquecido. Criminalidade crescendo em proporções mais que alarmantes (e meus sinceros sentimentos à família do taxista assassinado na noite de sexta, em Pelotas). Os vinte centavos não eram prioridade. A passagem de ônibus é tudo, menos uma prioridade. Importante, com certeza, mas pode esperar um pouquinho. E é por isso que nessa luta eu não me encaixo. Numa realidade em que o reajuste da passagem de ônibus moveu cidades e gerações na luta contra o aumento de vinte centavos.... eu simplesmente discordo.
          "Não é por vinte centavos. É o descaso." compartilhou Priscila Fantin (que eu particularmente não lembro quem é, mas precisava citar alguém que usou essa frase) em seu Twitter.
          E se não é pelos vinte centavos, é pelo quê? Aqui em Pelotas será pelos quinze centavos (humildade!). E se não é pelos quinze centavos, é pelo quê? Descaso? Qual é o descaso? Descaso com quem? Eu conheço minha indignação muito bem (e a citei no parágrafo acima), mas eu não conheço a indignação dos protestantes (por mais que acompanhe o assunto todo). Eu sei que começou nos vinte, mas não sei a quantas anda. E se eu, que me interesso, não sei... o que deixar para os líderes de Estado?

          Começou bem, mas agora o que vejo é o neorevolucionalismo sem causa.

          Meu orgulho tá chorando, mas nunca torci tanto para estar errada.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Panis et circenses

     Tchê, e que bagulho bom é pegar a família, botar uma térmica debaixo do braço e sair pra tomar um mate numa feira cultural da cidade, né? Eu adoro, cresci fazendo isso com meus pais em eventos como FEARG, FECIS, FEMAR, Feira do Livro e o escambau. É bom pra cidade, é bom pros turistas e, mais que isso, é bom pro povo que ADORA um pão e circo. 

     Tá, mas e vem cá... pra montar o circo tu precisas de artistas, né? É. E não é diferente nesse tipo de feira.  

     Em muito, os artistas são a alma de todo e qualquer evento. Comer umas anchovas na praça de alimentação sem ouvir uma voz e violão de qualidade não é a mesma coisa, diz o pai de família. Sentar na frente de um palco sem uma banda pra apreciar é coisa de quem não tem mais o que fazer da vida. 
     E realmente assim as coisas são boas, assim a coisa funciona, né Jão? É um espaço ótimo para a mostra cultural, divulgação do trabalho árduo alheio, dar uma mudada na rotina e apreciar um pouco de arte ao vivo. Etc e tal.

        Problema é quando o circo resolve tratar todo mundo como palhaço.

     A organização da Festa do Mar chegou com a proposta indecente de oferecer aos músicos uma esmola ajuda de custos, apenas. Ou nem isso, nem sei mais, quanto mais eu leio sobre mais absurdo fica. Numa hora tão oferecendo uma migalha, na outra nem isso. Enfim, se não é ruim é pior. O negócio é que, sei lá, parecia um baita dia pra tratar o ESFORÇO, o TALENTO e o PROFISSIONALISMO alheio como cocô e assim o fizeram.

"Tá, mas tão oferecendo ajuda de custos, que choro todo é esse?"

     Velho, a ajuda de custo é de R$250. SE ELA EXISTIR (e se existir, se pagarem, né). Sabe o que isso paga?

     BOSTA NENHUMA. Nem sequer contorna todo gasto com equipamento, estúdio, transporte, material. Já me aventurei por esses terrenos pantanosos da música em Rio Grande. Eu ainda lembro de valores. Eu ainda lembro de como é custoso, difícil, exigente. Na mão de um músico (ou grupo de) R$250 pra uma apresentação num evento de porte considerável como a FEMAR é como dar uma bolacha maria pra uma criança subnutrida africana e ainda pedir um pedaço. O músico riograndino tá sujeiro a todo tipo de situação engole-sapo. Ele faz o que ama, mas amor não paga conta.

      Na condição de professora eu não daria aulas por uma "ajuda de custo". Na condição de organizador de evento acredito que ninguém trabalha por amor à camiseta e um guaraná Biri no fim do expediente. Tá meio torto isso aí.

     Posso não ser uma figura simbólica, posso não ter um blog de peso ou uma opinião que é levada em conta, mas venho por meio deste dar meu humilde grito de indignação e TOTAL APOIO ao BOICOTE à Festa do Mar. Deu desse absurdo, desse abuso e da falta de vergonha na cara.

     E deu de músico servir de palhaço pro circo alheio.
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Informações mais detalhadas sobre reuniões com os músicos e fatos mais bem explicados podem ser encontrados no blog do Eduardo Bozzeti, Gotas de Ácido. Outros textos relacionados podem ser encontrados nos seguintes blogs:  


     


terça-feira, 8 de maio de 2012

Qualquer idiota lança um livro.

     Sempre tive esse sonho de ser escritora, manja? Aula de redação na quarta série era minha favorita, dia de visita à biblioteca eu não perdia nem que estivesse doente. Posteriormente eu fui desfazendo os amigos de escola e passando cada vez mais tempo naquele santuário de papel e ácaro. Conheci autores, aprendi idiomas e fui feliz, no fim das contas. 
     Trabalhei por um tempo na biblioteca municipal aqui da cidade, também. Aquele lugar é maravilhoso, mas eu usava uma máscara porque minha rinite não gostava tanto assim. O trabalho era chato (checar estante por estante pra ver se os livros estavam no lugar certo), mas tinha sua glória. Achei uma edição de Lolita perdida numa prateleira errada, uma vez. Disse o Seu Aldo que podia estar perdida há uns 40 anos. É.
      E é esse gosto por estantes cheias de capas e poeira que me faz comprar tantos livros, e nessa busca por novos volumes eu tenho investido bastante nos autores locais. 
      Tem um cara... droga, eu comprei um livro dele que eu achei simplesmente fantástico, mas acho que emprestei ou perdi... enfim, o livro se chama "Contos de Contemplação" (me ganhou no nome). Uma capa em azul e verde com uma ilustração linda de uma menina. Um livro pequeno, poucas páginas e tal, quadradinho. Acho que foi o primeiro livro de autor local que comprei por vontade própria. Queria algo pra ler enquanto fazia um lanche na cafeteria da livraria e ele pareceu adequado. E foi. E continuou sendo. E se eu não achar/reaver minha edição eu vou lá e compro outro, porque... porque sim. Porque eu quero aquele livro de novo. Eu quero ler ele várias vezes. Eu quero dar um abraço no autor. E uma bala. Quero dar um abraço e uma bala. Talvez um "obrigada pela leitura fantástica", também, sei lá. O que quero dizer é que comprei esse livro maravilhoso de um autor local maravilhoso. E ele não tem nada a ver com o título desse texto. 
     Tem um outro pelotense lá que o próprio atendente da livraria de lá me recomendou porque era amigo do autor. Livro "Poemas Urbanos". Até tomei coragem de elogiar o livro num comentário do blog dele (e Deus é testemunha do quanto eu escrevia e apagava de tanta vergonha). O cara é realmente fera. Também não tem a ver com o título do texto.
     O que tem a ver é um livro que estava acho que ao lado desses "Contos de Contemplação". Era um livros de poesias e contos (ou só poesia, não lembro direito). Acho que era escrito por uma mulher, mas isso é irrelevante. Lembro de tons de vermelho e preto, acho que eram da capa, mas isso também é irrelevante. Por ser poesia, foi o primeiro que me chamou a atenção. Dei uma rápida olhada nas páginas. E graças a Deus eu fiz isso. 
     Eu não sei que tendência essa gente tem de ficar rimando "amor" com "dor". Tudo bem que o clichê tem charme, mas não sempre. Não em todas as páginas de um livro. Muito menos em todas as páginas de um livro de muitas páginas.
"AI AI AI FALOU A SUPER POETA DA VIDA!" (LER, Qualquer um que, 2012)
     Não, droga. Eu compreendo que sou um pouco fracassada demais escrevendo e só o faço porque é gostoso, mas tenho a petulância de dizer que ANOS de MUITA leitura me dão o direito de apontar e julgar. E eu julgo um nome que compõe a Academia de Letras e escreve em rima mais pobre que minha conta bancária negativa.
     Acho que um cara que me disse uma vez que a vó/tia/madrasta dele estava na Academia. Quando ele viu brilho nos meus olhos enquanto eu pedia se podia ler o material que ela publicara, ele disse que "ela escreve só bobagem, é o marido dela que paga. Aí ele foi lá, patrocinou os livros horríveis dela e ela entrou na Academia por ter publicações". Fiquei bolada. Nunca soube quem era a vó/tia/madrasta e nem lembro quem foi que disse isso. Não tomem dores. Obrigada.
"TU FALA ISSO SÓ PORQUE TU QUERIA LANÇAR UM LIVRO MAS NINGUÉM TE PATROCINA E TU É RECALCADA MIMIMI CHORA AÍ" (LER. Qualquer um que, 2012)
     Também. Admito que eu tenho um certo recalque, mas mesmo que tivesse dinheiro eu não teria um material de qualidade pra publicar. E se não tem qualidade eu prefiro ser blogueira falida e evitar que outros blogueiros falidos me julguem por aí. A questão não é inveja, recalque, veneno. A questão é que, se tu tens dinheiro, tu lanças um livro e já era, sendo ele bom ou não. E EEEEEEEEEEEU acho, na MIIIIIIIIIIIIIIIIIINHA opinião PEEEEESSOAAAAAAAL que isso tem comprometido muito o aparecimento de novos nomes na literatura nacional. Tem muita coisa boa MESMO, mas tem tanta coisa ruim que é mais fácil comprar o livro de R$50 de um autor norueguês que recebeu um "Daora!" no New York Times do que um livro de R$15 de um John Doe que mora na mesma rua que você. 
     Mas sei lá, né. Cada um sente a dor do amor que tem. 
     Seguirei com meus blogs. Pelo menos ninguém sofre arrependimento financeiro se acessar.


E vai acessar o Coffee & Ashtray pra entender o que eu disse sobre "fracasso".

quarta-feira, 28 de março de 2012

E foi dessa pra uma Millôr.

Soube hoje mais cedo que havia falecido o escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista e humorista Millôr Fernandes.

Aí eu abri o Google pra lembrar quem era a figura. Não quem era especificamente, e sim a obra. Cheguei a triste conclusão que se li algo do trabalho dele, foi sem querer. Não, sério, não tenho o menor pudor em dizer isso. Tem muita coisa aí pra ler e admito que não dei bola pro tal do Tio Nando. E eu tenho a cara de pau honesta de dizer isso.

Mas o assunto mesmo é que morte de escritor é aquilo que sempre me surpreende nas redes sociais, sabe? Quando morreu o Saramago foi a mesma ladainha. Me surpreende por ser previsível, não original. E o twitter tá aí pra provar isso a quem quiser ler.

"Poxa, Fulano, vai nos deixar aqui com Pedro Bial?" é sempre o bom começo. Depois o lamento "perdemos um grande escritor!" pela tonelada de pseudo-intelectual que não lê nem encarte de supermercado. Adicione uma porção de citações de fonte duvidosa, onde a maioria, na verdade, nem é do tal autor e como brinde a sobremesa com os recados póstumos de quem acredita que pega wi-fi no pós vida.

Me mata de preguiça. E isso se repete a cada morte de um respeitável, seja ele dramaturgo, escritor ou tudo junto, tipo o Millôr (abraço pra rima!).

Mas morreu o corpo, e o corpo deixou viva uma obra vasta. E a vantagem das palavras é essa: elas ficam quando a gente vai.

E já dizia um senhor ilustre,

"A gente só morre uma vez. Mas é pra sempre."

Beijos e vai ler um livro.


[Inutilidade pública: Quem foi Millôr Fernandes?]

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um bando de vadias.

E teve, sábado passado, a tal Marcha das Vadias em Pelotas.

Eu não fui mas a gurizada foi e taaaava bom!, por mais que tenha achado a proposta interessante e a motivação mais que válida. O negócio é que estou abaixo da linha da miséria e só fiquei torcendo de longe pra que causasse um efeito positivo, por menos esperança que eu tenha nisso.

LEVEI UM TAPA IMAGINÁRIO AGORA, MUITO CERTAMENTE.

Então, antes que botem fogo na minha casa, eu vou me justificar.
Não é que eu não acredite no poder do povo, no poder da revolução. Ao longo da história da civilização nós já tivemos a prova de que isso funciona. E mais de uma vez.

Eu não acredito é nas pessoas.
Eu não acredito naquele cara drogado que faz absurdos sem ter ciência nenhuma de seus atos. Eu não acredito no homem machista que acha que pode fazer o que quiser com uma mulher simplesmente porque tem uma protuberância balangante no meio das pernas.
Eu não acredito nesse povo parvo e besta que vê um flyer sobre uma "marcha de vadias" e pensa que são só trabalhadoras noturnas reivindicando aumento de sálario.

E EU NÃO ACREDITO NA MULHER QUE FICA BÊBADA NA BUATCHY, SE ESFREGANDO EM TODO MUNDO E DEPOIS QUER RESPEITO. Ah, falei mesmo, haters gonna hate.

Eu acredito na dor de uma mulher que é chamada de vadia porque quer colocar uma saia mais curta num dia de verão, ou um decote mais ousado porque é linda e diva e P-O-D-E. Eu acredito no desespero de uma jovem estuprada simplesmente porque é mulher. Eu acredito que ainda há preconceito e desigualdade entre os sexos, o que é um absurdo e me deixa bege quando vejo.

E acreditando nisso tudo que eu digo que INFELIZMENTE precisa de mais do que um cartaz na rua.
Precisa de educação que venha do berço, precisa de conscientização na formação da nova geração, porque a nossa já está velha e batida, e não vai conseguir mudar muito.

Mulheres lindas que marcharam num sábado de sol quente pelo que acreditam: vocês são as divas dos anos 10. Vocês são fortes e dão orgulho. Vocês impactaram quem quis e quem não quis ver.

Eu não estava lá, mas minha parte eu farei educando, de pequenos, os respeitadores de mulher de amanhã.

E quem mexer com a minha princesinha leva tiro.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mulheres fúteis e opiniões masculinas

Oi, você que acessa o Saco de Minhocas!
Lembra desse texto aqui? Pois é, vamos retomá-lo, então.

Estava no carro com dois amigos (ambos do sexo masculino), agora, e ouvia enquanto eles falavam daquele mais do que clássico assunto masulino: mulheres.
Se bem entendi, falavam de uma garota muito interessante e bonita, que namorava com um cara babaca. Aí, então, um deles dirige a palavra a mim e pergunta:

"Kura, por que as mulheres bonitas tendem a namorar homens babacas?"

Eu não pensei numa resposta. Eu não demorei a responder. E a resposta foi essa:

"Porque elas tendem a ser APENAS bonitas."
(Quem discorda que, por favor, dane-se argumente nos comentários)

Então começou aí uma discução sobre mulher Kinder Ovo (delícia por fora, oco por dentro. Surpresa!), e vi que, talvez, eu tenha sido um pouco exagerada em meu outro texto.
Ouvi os garotos comentando sobre garotas lindas (do tipo que fazem um cara parar e ficar olhando, boquiaberto), mas que perdiam o encanto ao abrir a boca (e não estamos nos referindo a maus hábitos de higiene).

Será que eu finalmente estou entendo a frustração dos homens ao depararem-se com um bando de tchutchuca burra? Fiquei bege e, assim, resolvi trazer algo diferente para o Saco (de Minhocas). Afinal, tem jeito melhor de entender como um homem reage a isso... do que perguntando para um?


  • SACO ENTREVISTA: Gibran Irizaga!

  • Mas... quem é Gibran?

Gibran Irizaga - gaúcho, nerd, irritante e polêmico sem sucesso.
Interessado em música, café e confusão
Fã de windows (7, caso haja dúvida) e Firefox.





Kura: Então, rapaz, te pergunto agora: O que exatamente um rapaz sem compromissos procura num representante do sexo oposto em.. sei lá, um pub, festa, etc?

Gibran: Acho que depende muito do momento. Se o local é uma festa, inegavelmente a primeira coisa que se repara é na aparência, pra depois ver o que conversar. Acho difícil algum homem procurar algo muito mais profundo do que isso nesse tipo de ambiente. Agora, em um pub ou local mais tranquilo, pode ser que se procure alguma mulher com um papo mais interessante, mais coisas em comum e coisas do gênero.

K: Uhum. Digamos que, nesse ambiente de festa, tu te interessas por garota MUITO atraente e... sei lá, tu resolves puxar assunto com ela pra ver no que é que vai dar. Como se daria essa conversa?

G: Aí com certeza não existe algo certo, varia de caso pra caso. Falando por mim mesmo, quando há esse interesse por alguma guria muito atrante, primeiro há aquele tempo de observação, pra depois a aproximação em si. Nessa parte, caso não haja uma pessoa em comum entre ambos pra dar um empurrão, é preciso usar um quebra-gelo, por mais simples que seja. Depois de iniciar, da maneira que for, geralmente a conversa flui (ou acaba logo no início mesmo). Como a conversa vai a partir daí, vai depender dos dois, não tem como definir.

K: E digamos que um quebra-gelo inicial funciona e depois de algum chit-chat e conversa amena, a garota é legal acaba rolando alguma coisa (YES!), e vocês tornam a se encontrar casualmente, mas dessa vez num lugar mais tranquilo, tipo um barzinho ou pub.
Conversando mais calmamente e sem tumulto, tu percebes que a guria, infelizmente, não é dotada de muita cultura (aka fútil), e o papo acaba não indo muito de boa. Qual a tua reação?

G: Por experiência própria, o que resta é aproveitar esse encontro normalmente e, depois, partir pra outra e deixar essa de lado. Claro, há quem prefira continuar se encontrando com a guria não muito esperta, mas no meu caso acho que não tem como. Com o tempo uma boa conversa é fundamental.

K: Essa situação de guria cabeça-vazia já aconteceu contigo?

G: Já, infelizmente. É frustrante montar uma conversa nessa situação.

K: E como tu te sentiu? No caso, o que passou pela tua cabeça? E como tu reagiu?

G: O problema é tu perceber isso meio tarde. Não tem como virar as costas pra guria e ignorá-la. O que resta é fingir que tá tudo lindo, que tá se divertindo um monte, aproveitar tudo que conseguir e depois sim, evitar outro encontro com ela. Me senti um Homer Simpson, conversando sobre as coisas mais inúteis do mundo.

K: AHUAUHADIAS! Que tipo de assunto? Um exemplo, por favor.

G: Nada mais frustrante do que a guria, num 'encontro', não cansar de abrir a boca pra comentar do esmalte maravilhoso que ela comprou, de como a unha dela fica bem cuidada com essa cor nova. E quando tu acha que não fica mais fútil, comentar de quanto brilho o cabelo ganhou depois de mudar o corte, que ficou lin-do. Ok, deixa essa conversa pra outra hora, não quando tu pretende ver se há interesse entre os dois. hsauashuashusahsuahauhauhauhuh coisas tensas da vida noturna.

K: Poxa, eu adoro falar de unha e cabelo, mas acho que pra isso que servem os amigos gays. Será que ela não te colocou na Gayzone, não?

G: Considerando que fiquei com ela na noite em questão, acho meio difícil haha mas nunca duvido de nada (considerando a fama de gay que Julian e eu temos)

K: Mas enfim, tenho uma última pergunta.
Digamos que a garota linda e fútil tem uma amiga. Uma amiga que não chega a ser feia, mas não é atraente. E, por alguma prece atendida, essa amiga chega e interrompe essa ótima conversa sobre unhas e cabelos brilhantes, e você percebe que a guria tem um papo legal, é divertida, boa companhia, essas coisas... e tu sentes que ela demonstrou interesse em ti (ui gatão).
Qual a tua reação (desde o que tu pensas a como tu ages)?

G: Primeiro pensamento, sem dúvidas, é sobre como dá pra manter a atenção da tal amiga sem parecer muito canalha aos olhos da outra. A partir daí, pra mim, depende se já fiquei com a guria do encontro original ou não. Se não ficamos, dá pra manter uma conversa com as 2 até conseguir dar atenção pra amiga abençoada que apareceu; se já, não resta muita alternativa no momento, só tentar procurar ela em outro dia, outra situação. A chance de alguma delas se irritar com isso é boa, isso vai ser quase inevitável. Mas é a escolha: vale a pena a mais bonita - que é só bonita - ou a que dá pra conviver bem? Prefiro a segunda opção.

K: Obrigada, Gibran, pelas ótimas e completas respostas, e pelo tempo que te tomaram! Você vai virar uma celebridade, menino! Agora, sigamos com nossa programação normal.

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Beijinhos e me liga.


sábado, 7 de janeiro de 2012

Ano Novo, etc e tal.

Tudo bem, já deu uma semana desde a virada, mas se contarmos os 365 dias do ano, veremos que 7 deles não é um grande atraso. Até porque a única diferença que vejo ente o primeiro do ano e hoje é que agora não preciso mais sair na rua com falsa simpatia e um sorriso amarelo no rosto, desejando tudo de bom pra pessoas que eu sequer lembro o nome direito, tudo para evitar uma afronta as boas maneiras e represálias eternas da minha mãe.

Mas eu gosto da comemoração de Ano Novo, sim. Os fogos de artifício, o espumante, a energia , praia, amigos, família. É a combinação perfeita de uma receita de bom humor e limpeza interior, pra mim.

Eu não gosto é da expectativa. Esse negócio de "ano que vem tudo vai ser melhor", "vou deixar esse ano pra trás, agora tudo vai dar certo" me dá náuseas.
Pular sete ondinhas não vai te dar um aumento. Trabalhar com afinco que dará. Guardar folhas de louro na carteira não te fará ter mais dinheiro. Economia e corte de gastos que fará. Desejar perder peso enquanto come uvas não te fará emagrecer. Uma dieta aliada a exercícios físicos e hábitos de vida mais saudáveis que farão.

Uma observação:
o ano passado não ficará tão para trás. Ele será um fantasma constante na tua vida, junto com todos os anos que vivesse, uma vez que são resultados das tuas decisões e caminhos escolhidos, sejam eles bons ou não. O passado não desaparece, ele só se esconde na tua sombra enquanto acumulas novas milhas às solas carcomidas dos teus sapatos.

Sabe o que traz prosperidade? Teus atos. A forma que ages durante o ano que trará a alegria dos anos seguintes, e não meia dúzia de mandingas logo após a meia-noite. Fik dik.

Lembro que eu estava no fliperama, dia 1/01, e uma pessoa veio me desejar "feliz ano novo, tudo de bom pra ti e pra tua família", e controlei totalmente a língua ao não responder "pois é, mas sabe, tua vida vai continuar miserável esse ano, como foi durante todos os anos, tu porque tu não vales o pão que comes". Só disse "obrigada e igualmente", sorri e fui pra casa lavar a boca com sabão.